sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Cabral escorregando na maionese: Palácio Gustavo Capanema e Comitê Olímpico 2016



Foi só isso que pensei quando fiquei sabendo da proposta do governador Sérgio Cabral para o Palácio Gustavo Capanema, no Rio 2016.

Ignorando ministérios, servidores públicos, história e função quis aparecer com o chapéu dos outros. Causando um incidente diplomático com falta de saber democrático e hierarquia federal.

Oferecendo um prédio da União, o qual abriga Ministério da Cultura e Funarte- Fundação NAcional de Arte, Ministério da Educação(REMEC), setores do Iphan e Biblioteca Nacional (setor de registros e direitos autorais) desde há muito.

Provavelmente esse prédio não registra relação direta com o esporte desde que ocorreu o desmembramento da Pasta Esporte do Ministério da Educação; quando o Ministério do Esporte levou para si a responsabilidade até então atribuída à área educacional. Informação que me parece ignorada pelo Excelentíssimo Ministro do Esporte, autor da descabida idéia dada ao governador do Estado do Rio de Janeiro.

Ou seja, ele é um prédio historicamente cultural, com galerias de arte e respira cultura e educação, tendo sido sede do último XV CONFAEB, Congresso Nacional da Federação de Arte-Educadores do Brasil que reuniu profissionais de todo o país, onde o até então presidente da FUNARTE Antonio Grassi afirmou a necessidade de avançar na construção de um projeto que reaproxime o universo da educação do universo da cultura, texto publicado nos Anais Trajetória e Políticas para o Ensino das Artes no Brasil, através da SECAD - Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, do Ministério da Educação juntamente com a UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em 2009.

O projeto de 1936 de Le Cobusier para abrigar educação e saúde foi do ministro da Educação Gustavo Capanema que empreendeu um notável trabalho de enriquecimento da educação nacional e trouxe para junto de si grandes nomes da arte brasileira: Portinari, Carlos Drummond de Andrade, Burle Marx, Bruno Giorgio, Villa-Lobos, Oscar Niemeyer, Humberto Mauro, verdadeiras relíquias do patrimônio cultural e memorial e referências na arte-educação no país.

É sabido que fazem dois anos existe uma comissão de revitalização da história deste patrimônio e que tudo ali é tombado: pisos, paredes, móveis, divisórias, elevadores (ah, esses tão pequenos que causariam muitos atrasos às delegações). Nesse momento, alguns cogitam até mesmo em levar a Orquestra Nacional para lá... lugar de onde não deveria ter saído e onde está a maior biblioteca de música do país,...

Li em alguns sites que os servidores não desgostaram tanto da idéia, porque gostariam de trabalhar em melhores condições ambientais e consideram que os R$35 bilhões das olimpíadas ajudariam bastante... mas se estou dando minha opinião acho melhor investir isso na zona portuária, local mais adequado para uma reurbanização, com certeza e de acordo com projetos já existentes.

Agora, uma coisa há de se falar: a União economizou muito com essa mídia e pelo menos agora o carioca vai saber onde é o Palácio Gustavo Capanema, pois por ali, ninguém sabe!!!

...será que o Cabral estava nesse bonde que só se lembrou do prédio na hora de fazer bonito pra comunidade internacional...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Citando B. Capelier(1980) in Païn & Jarreau(1996)

Resume a condição humana em três premissas:
- o homem é este ser que se faz imagem,
- o homem é este ser que se faz das imagens,
- o homem é este ser que faz as imagens.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Por falar em Niemeyer,








Museu de Arte Contemporânea, Niterói.
Fotografo arquitetura.
I LOVE IT!
Eixo de cobertura: raio de 200km de Juiz de Fora.

Contacte-me.
crisfarage@gmail.com

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Poema do Menino Jesus - O doce mistério da vida


Um meio dia de fim de primavera
Eu tive um sonho como uma fotografia
Eu vi JESUS CRISTO descer a terra
Ele veio pela encosta de um monte
Mas era outra vez menino a correr
E a rolar-se pela relva,
A arrancar flores para deitar lá fora
E a rir-se de modo a ouvir-se de longe...
Ele tinha fugido do céu,
Era nosso demais para fingir-se de segunda pessoa da trindade.
Um dia que Deus estava dormindo
E o Espírito Santo andava a voar
Ele foi até a caixa dos milagres e roubou três;
Com o primeiro, ele fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido;
Com o segundo, ele se criou eternamente humano e menino;
Com o terceiro, ele criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois ele fugiu para o sol e desceu pelo primeiro raio que apanhou
Hoje ele vive na minha aldeia, comigo.
Uma criança bonita, de riso natural;
Limpa o nariz com o braço direito; chapinha nas poças d’água,
Colhe flores e esquece; atira pedra aos burros,
Colhe frutas nos pomares e foge a chorar e a gritar dos cães,
Só porque sabe que elas não gostam e que toda gente acha graça
Ele corre atrás das raparigas que levam as bilhas na cabeça e...
Levanta-lhes a saia!
A mim ele me ensinou tudo...
Ele me ensinou a olhar para as cores nas flores...
E me mostra como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem na mão e olha devagar para elas...
damo-nos tão bem um com o outro
na companhia de tudo que nunca pensamos num no outro
vivemos juntos os dois, com acordo íntimo;
como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer nós brincamos,
as cinco pedrinhas no degrau da porta de casa...
Graves! Como convém a um Deus e a um poeta;
Como se cada pedra fosse TODO O UNIVERSO
E fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair no chão!
Depois ele conta história das coisas só dos homens, e ele sorri,
Porque tudo é incrível, ele ri dos reis e dos que não são reis...
E tem pena de ouvir falar das guerras e dos comércios.
Depois ele adormece, eu o levo no colo para dentro da minha casa,
Deito-o na minha cama... Despindo-o lentamente...
Como seguindo um ritual todo HUMANO, todo materno,
até ele estar NU!
Ele dorme dentro da minha alma...
Às vezes ele acorda de noite, brinca com meus sonhos...
Vira uns de perna pro ar; põe uns por cima dos outros
e bate palmas, sozinho,
Sorrindo para o meu sono!
Quando eu morrer, filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno;
Pega-me tu ao colo e leva-me para dentro da tua casa...
Deita-me na tua cama; despe o MEU SER, cansado e humano;
Conta-me histórias caso eu acorde,
PARA EU TORNAR A ADORMECER... E DÁ-ME SONHOS TEUS
PARA EU BRINCAR!

Fernando Pessoa

Não deixe de assistir Maria Bethânia, essa doce bárbara declamando:
http://www.youtube.com/watch?v=HakV--x6LXM&feature=player_embedded#

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Alvorada no Santa Helena...



Essas 3 luzes aparecem em outras fotos, em posições diferentes, circulando livremente pelo espaço. Seriam mesmo orbis...
Deixo que cada um pense o que for. Eu, pratico meditação. Tento não pensar! Apenas viver, mãos e mente cantando em uníssono.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Milton Nascimento: “A música caminha comigo como a minha alma”

divulgo aqui email recebido do jornalista e agradeço a correspondência. O texto é ótimo e profundo. Histórias da nossa terra.

Prezados,
se puderem, leiam texto sobre a trajetória de Milton Nascimento no Portal Cronópios.
Basta clicar em:
www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=4337

Com o abraço do
Jorge Sanglard

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Assim comecei um novo ano.VISITA INUSITADA.




Dia 02, nas região das praias oceânicas, pegando o barquinho pra atravessar o canal que separa Itaipu de Camboinhas, para fugir de um verdadeiro congestionamento humano.

A intenção: refrescar-me pulando as sete ondas que trazem boa sorte, de frente para a plataforma da Petrobrás, localizada entre o Rio de Janeiro e Niterói.

Aí começa uma aventurazinha que acabou em meio à um maravilhoso por-do-sol e à uma vertiginosa vazante do canal, que resolvemos atravessar caminhando de volta, após as 18.30 e que quase levou meu amigo intelectual dos bastidores políticos da alta cultura do Brasil na correnteza... ichi!...báah guri...tri,:

- Joãao, pára de brincar, levanta que dá péééééé!

E a correnteza levando...

- Joãaaaao, fixa as mãos no chão, levante-se e saia andaaando!!!

Piedade da mãe divina, inspiração! Não era apenas uma brincadeira, o lugar é perigosíssimo e nessa hora a apenas 100m de distância a ligação com o mar funciona como um ralo de pia.

E nós dois,... turistas desavisados!

O passeio havia sido gratificante, belo e empolgante. Nosso acesso à tribo foi respeitoso, em busca da minha ânsia para ver o meio e o artesanato.

Chegando lá, encontramos um tatuador carioca, o quase anônimo Fabiano, pintando o pequeno índiozinho, numa troca urbana, universal, fora da ritualística indígena e tão impregnada de significados contemporâneos.

A tribo, vinda de Paraty instalou-se na área, reclamando sua porção na civilização urbana. Terras brasileiras tomadas de seus ancestrais, aquém e não além da especulação imobiliária e das leis.

O fato é que a região ficou mais rica com a taba. Mirar as ocas, com as roupas penduradas no varal, com o mar azul e o Forte Itaipu ao fundo e a convivência pacífica nessa diversidade urbana pareceu-me um cenário de filme de cinema.

Fabiano, na tribo indígena guarani Tekoa Itarypu.O pequeno menino, Adriano Icaraí.