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sábado, 7 de maio de 2011

Quero ir de Forde verde Os ases De Cataguases, Oswald de Andrade, por Marques Rebello

de Ubá a Cataguases, VERDE. Terra de minha mãe.
De VERDE identidade à Raízes do Brasil.
Homenagem artística ao dia de nossa mãe, Terra Brasilis e seus grandes artistas.
atenção: essa publicação é complementar à leitura da publicaçao anterior .


(...) em Minas, na cidade de Cataguases, aparecia em 1927 a revista Verde que reafirmava as duas vertentes do Modernismo paulista: liberdade expressiva e temática nacionalista. Entre os colaboradores estavam: Henrique de Resende, Ascânio Lopes, Rosário Fusco, Guilhermino César, Martins Mendes e Francisco Inácio Peixoto.


Alfredo Bosi, 1974

E no interior mineiro, em Cataguases, Portinari deixa uma de suas obras capitais - o painel Tiradentes, (...)
José Aderaldo Castello, 1999

É um critério que me conforta e envaidece quando lembro que o Tiradentes de Portinari — uma das obras-primas da nossa pintura — foi por mim encomendado para um colégio em Cataguases. E como foi difícil concretizar minha idéia! Convencer meu amigo Peixoto a adotá-la, colocando na extensa parede de 20 metros de comprimento que projetei o mural para ali previsto. E depois, levar Portinari a Cataguases, a balançar durante horas na poeira das estradas de terra.
Oscar Niemeyer


Tiradentes, 1948-1949.Têmpera/tela 3,09x17,67m. Coleção: Memorial da América Latina.

A encomenda da obra deu liberdade ao artista de escolher o tema que julgasse adequado ao lugar. No Colégio de Cataguases, construído sobre um projeto de Oscar Niemeyer, foi reservada uma dependência para a inserção da pintura, o saguão de entrada. Posteriormente, a obra fez parte da coleção do Palácio dos Bandeirantes, e atualmente se encontra no Memorial da América Latina, ambos em São Paulo.
Elza Ajezemberg

Colégio Cataguases, obra de 1947-49, escultura O Pensador de Jan Zach, jardins de Burle Max. O prédio ainda abriga painel de Paulo Werneck, móveis de Tenreiro e o primeiro Museu de Arte Popular do Brasil.

E ainda Niemeyer:
Sempre segui o exemplo de Capanema. Sempre que me foi possível, convidei os artistas plásticos para comigo colaborarem. E isso começou em Pampulha, lá pelos anos 40, quando chamei Portinari, Ceschiatti e Paulo Werneck, o que vem se repetindo até hoje, com a colaboração de Di Cavalcanti, Marianne Peretti, Athos Bulcão, Firmino Saldanha, João Câmara, Ceschiatti, Bruno Giorgi, Honório Peçanha etc. (...)

idos anos e algumas décadas adiante, entre os alunos famosos do Colégio Cataguases está Chico Buarque, por onde dizem as boas línguas que ali viu A Banda passar e ali a compôs.

Chico, que é filho de Sérgio Buarque de Hollanda, autor do clássico imperdível Raízes do Brasil e de D. Maria Amélia, filha de José Cesário Faria Alvim (1839 -1903) reconhecido como fundador de Ubá - Bacharel em Direito [SP-1862]. Chefe do Partido Liberal de Minas Gerais. Deputado Provincial [1864 e 1866]. Deputado à Assembléia Geral Legislativa [1867/68, 1880/81, 1887/88 e 1889]. Presidente da Província do Rio de Janeiro [1884]. Presidente da Província de Minas Gerais [1889/92]. Senador Constituinte [1890]. Primeiro Presidente Constitucional da Província de Minas Gerais [1891/92]. Prefeito do Distrito Federal - então Rio de Janeiro [1889-1900].

Então eu lhes pergunto: seria o Circuito Ubá-Cataguases, Minas-Rio o microcosmo de estudo da identidade brasileira identificado em Raízes do Brasil (1929)?

Seja como for, para respostas afirmativas ou negativas, Ubá continuou a frutificar nas próximas décadas, com a geração de artistas de reconhecimento internacional em diversas áreas de conhecimento: o músico Ary Barroso, o escritor Antonio Olinto, o dançarino Décio Otero, o ator Mauro Mendonça.

Então amigos, deixo boas fontes de pesquisa para que complementem o pensamento de acordo com seus próprios filtros.

Para essa edição, tenho agradecimentos especiais:
Especial póstumo ao Sr. Lenine Junqueira Passos(+2003), da Fazenda I-JucaPirama, Muriaé, MG, que pressentindo sua morte naquele mesmo ano e após longas conversas que tivemos na sua fazenda cheia de livros e referências históricas, gentilmente deu-me de presente, com dedicatória, a dissertação de mestrado amigo Luiz Gonzaga.
Especial, ao meu primo, Luiz Farage, que sabendo da minha ânsia de conhecimento, enviou-me pelo correio um presente, o valioso Informe Cultural, publicado pela Prefeitura de Cataguases em CD.
Especial, ao meu amigo João Carlos Teixeira Mendes, que com seu esforço inigualável e capacidade agregadora, valoriza a cidade de Ubá como fonte evidente de informações sobre o nosso país e presentea-nos com o evento Arte pela Paz, Brasil, 2013.

Bibliografia:


BATISTA, José Luiz(org.). Revelando minha cidade - Informe Cultural. Cataguases, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, 2009.

SILVA, Luiz Gonzaga da. Camilo Soares e o Grupo Verde; o resgate de sua atuação nos limites da sua poesia. Dissertação de Mestrado em Letras/ Área de concentração- Literatura Brasileira, Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, 2. semestre de 2000, 174 p.

Último acesso em:
http://www.flickr.com/photos/achmg/5034357899/
http://www.memorial.sp.gov.br/memorial/revistaNossaAmerica/20/port/mestre.htm

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Geração Ubá, Fazenda das Palmeiras



Aqui nasceu em 1877 o Presidente do Estado de Minas Gerais. Advogado, escritor, jurista, político e professor o Dr. Raul Soares de Moura, empossado em 7 de setembro de 1922 e falecido antes do término de seu mandato, em 4 de agosto de 1924, devido a problemas cardíacos.

Nesse final de semana fui convidada a visitar a FAzenda das Palmeiras, em Ubá, MG, junto a um grupo de amigos, para assistirmos ao II Festival de Música Ary Barroso. A `Fazenda`, como todos a conhecem também foi sede do Governo de Minas Gerais e anos mais tarde foi adquirida pelo professor de inglês e médico saído de Ouro Preto com seis filhos vivos, dos 7 nascidos (uma história traumática na família e contada através de um diário paterno).

Um dos filhos, o Sr.Levindo Coelho, Governador de Minas Gerais em 1977. Abro um adendo para minha memória: vi-o quando era criança, com seus enormes bigodes subindo a escada do prédio lá de nossa confortável porém simples casa( pois meu pai era um padeiro). Ele tinha ido para visitar seus irmão, Sr. Adoremus, nosso vizinho de porta, pai da doce Fátima.

Mas voltando aos dias de hoje: a Fazenda encontra-se em excelentes condições de conservação e pertence a Saulo Levindo Coelho que contando-me não acreditar em coincidência revelou que sua data de nascimento é a mesma data na qual se comemora o santo protetor do lugar, São Miguel das Almas.


Reparando nos detalhes da Capela de São Miguel das Almas a inscrição Ora et Lavora, 1922.


Então por saber do poder tão perto de Ary Barroso, lá do Rancho Fundo para o mundo e do cinema do pai do embaixador e instigante acadêmico Antonio Olinto(+2009) onde Ary tocara piano com sua Tia Ritinha animando o filme mudo além de uma geração ubaense despontada no século passado, inclusive das origens maternas ubaenses da família de Chico Buarque vinda do primeiro Presidente do Estado de Minas Gerais o Dr. Cesário Alvim que foi empossado logo após a Proclamação da República do Brasil. E adiante, o grande ator Mauro Mendonça, irmão do astuto e bem humorado petista por convicção, o professor e linguísta Euclídes Mendonça, um dos redatores da Constituinte, já não me espanto de admiração por essa grandiosa geração Ubá sem saber o porquê.

Bem perto, está Cataguases, onde os artistas paulistas enfronharam-se com as indústrias de tecido Matarazzo. Onde os Verdes publicaram sua revista, no mesmo ano de 1922 e deixaram suas poesias e idéias modernistas fincadas na roça e na política do café com leite.